{"id":180,"date":"2013-02-26T00:01:12","date_gmt":"2013-02-26T03:01:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrajuizdefora.com.br\/noticias\/?p=180"},"modified":"2013-08-19T09:19:00","modified_gmt":"2013-08-19T12:19:00","slug":"escolas-investem-no-ensino-do-xadrez-em-juiz-de-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrajuizdefora.com.br\/noticias\/escolas-investem-no-ensino-do-xadrez-em-juiz-de-fora\/","title":{"rendered":"Escolas investem no ensino do xadrez em Juiz de Fora"},"content":{"rendered":"<p>O xadrez tem ocupado um papel cada vez mais importante no cotidiano escolar de Juiz de Fora. Em diversas institui\u00e7\u00f5es, tanto na rede p\u00fablica quanto na \u00e1rea privada, a atividade tem sido inclu\u00edda como op\u00e7\u00e3o no hor\u00e1rio extraclasse. Para a doutoranda e pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o, Entretenimento e Cogni\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual do guia Rio de Janeiro (Uerj), Let\u00edcia Perani, as institui\u00e7\u00f5es que investem na estrat\u00e9gia s\u00f3 t\u00eam a ganhar. &#8220;Pesquisas cient\u00edficas comprovam que o xadrez desenvolve habilidades cognitivas, e ajuda na aprendizagem e no rendimento das crian\u00e7as em sala de aula.&#8221;<\/p>\n<p>V\u00e1rios col\u00e9gios na cidade de Juiz de Fora t\u00eam testemunhado esses resultados. Na Escola Municipal Professor Engenheiro Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, no Milho Branco, a professora Patr\u00edcia Coelho come\u00e7ou a incentivar a pr\u00e1tica em 2006, mas, s\u00f3 em 2009, conseguiu implant\u00e1-la na grade curricular. O aluno Murilo dos Santos, 13 anos, logo quis experimentar e vem acumulando conquistas, como o primeiro lugar nos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg), em 2011. &#8220;Al\u00e9m de ter melhorado meu racioc\u00ednio e concentra\u00e7\u00e3o, passei a ter mais gosto pela leitura.&#8221;<\/p>\n<p>No Stella Matutina, o ensino envolve o uso de uma apostila elaborada pelo professor Haroldo Carvalhido, que explica desde os fundamentos te\u00f3ricos do xadrez at\u00e9 os movimentos das pe\u00e7as no tabuleiro. Para o docente, o primeiro grande benef\u00edcio \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da sociabilidade. &#8220;Muitos alunos chegam aqui muito t\u00edmidos, e essa viv\u00eancia do jogo ajuda a conviver em grupo, a respeitar a decis\u00e3o do outro, a esperar o momento certo de agir ou falar. Isso reflete na autoestima deles tamb\u00e9m, at\u00e9 porque o xadrez \u00e9 associado \u00e0 maturidade, intelig\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pelo grupo de xadrez do Col\u00e9gio Academia, onde o jogo faz parte tanto da grade curricular quanto da lista de atividades opcionais, Justino de Paula lista outras vantagens da pr\u00e1tica. &#8220;Muitos alunos s\u00e3o encaminhados para c\u00e1 porque t\u00eam problemas de disciplina ou de concentra\u00e7\u00e3o. O xadrez faz com que reflitam mais sobre tudo que fazem, porque no jogo, cada movimento \u00e9 muito importante. A pr\u00e1tica tamb\u00e9m faz com que lidem melhor com as frustra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, h\u00e1 melhoras na mem\u00f3ria, no racioc\u00ednio l\u00f3gico e, consequentemente, no rendimento escolar.&#8221;<\/p>\n<p>Haroldo refor\u00e7a este argumento, utilizando como base uma pesquisa feita com seus pr\u00f3prios alunos. &#8220;Observei grupos de estudantes durante tr\u00eas anos e, quando eles come\u00e7am a jogar, suas m\u00e9dias tendem a subir. Se abandonam a pr\u00e1tica, as notas costumam baixar. \u00c9 preciso lembrar, claro, que o benef\u00edcios aparecem a longo prazo, n\u00e3o adianta esperar resultados imediatos, vai at\u00e9 contra um dos princ\u00edpios do xadrez, a paci\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Legisla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em outubro passado, um projeto do ent\u00e3o vereador Francisco Canalli (PMDB) chegou a ser aprovado na C\u00e2mara Municipal, prevendo que os col\u00e9gios municipais inclu\u00edssem o ensino do xadrez em seu programa, aberto a alunos de todos os per\u00edodos, com carga hor\u00e1ria m\u00ednima de uma hora semanal.<\/p>\n<p>No fim de novembro, o texto foi vetado no Executivo, mas, em uma plen\u00e1ria do Legislativo, o veto foi derrubado, abrindo a possibilidade para a pr\u00e1tica ser adotada nas escolas p\u00fablicas da cidade. &#8220;A medida n\u00e3o \u00e9 impositiva. Venho acompanhando iniciativas em pa\u00edses, como Argentina e Estados Unidos, onde pesquisadores constataram um aumento impressionante no rendimento de alunos que jogavam xadrez. Acho que a educa\u00e7\u00e3o de Juiz de Fora ser\u00e1 muito beneficiada&#8221;, comenta Canalli, agora atuando como secret\u00e1rio de Esportes do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Para a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, a nova lei vem apenas regularizar a carga hor\u00e1ria das nove escolas do munic\u00edpio que adotam o ensino do xadrez por iniciativa pr\u00f3pria (ver quadro). A proposta \u00e9 desenvolvida de acordo com o interesse dos alunos e a indica\u00e7\u00e3o dos professores.<\/p>\n<p>A secretaria n\u00e3o descarta a possibilidade de capacitar mais institui\u00e7\u00f5es e profissionais para o ensino do xadrez, que foi introduzido em 2006, quando o MEC forneceu diversos jogos para serem oferecidos \u00e0s escolas.<\/p>\n<p>As vantagens do xadrez est\u00e3o claras para os maiores benefici\u00e1rios: os jogadores. Com apenas 9 anos, J\u00falia Maximiliano, aluna do Stella Matutina, \u00e9 a s\u00e9tima colocada no ranking nacional de xadrez, e v\u00ea em suas conquistas muito mais que o fato de ser uma campe\u00e3. &#8220;Desde que comecei a jogar, com 6 anos, estou mais concentrada e penso mais sobre qualquer decis\u00e3o que preciso tomar. Al\u00e9m disso, o xadrez me ajudou muito em matem\u00e1tica.&#8221; O coro \u00e9 engrossado pelo adolescente Pedro Ferreira Lage, do 9\u00b0 ano da Academia, adepto do xadrez desde os 8 anos. &#8220;Sempre gostei do jogo, e ele me ajuda de diversas formas, desde o desempenho em todas as mat\u00e9rias, pois meu racioc\u00ednio \u00e9 muito mais r\u00e1pido, at\u00e9 a tranquilidade para agir em situa\u00e7\u00f5es de press\u00e3o ou estresse, como provas.&#8221;<\/p>\n<p>Vers\u00e3o online<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da internet e sua alta popularidade entre crian\u00e7as e adolescentes, os tabuleiros de xadrez v\u00eam sendo substitu\u00eddos por sua vers\u00e3o online. Para a pesquisadora da Uerj, Let\u00edcia Perani, esta maneira de jogar tem seus pr\u00f3s e contras. &#8220;As vers\u00f5es para computador n\u00e3o trabalham tanto com a percep\u00e7\u00e3o espacial, por estarem na tela, movimentados apenas pelo mouse, mas os games de xadrez online ajudam na sociabiliza\u00e7\u00e3o dos jogadores, uma vez que eles podem encontrar pessoas do mundo todo que tamb\u00e9m estejam interessados em compartilhar informa\u00e7\u00f5es e conhecer novos amigos.&#8221; J\u00e1 o professor da Academia, Justino de Paula, v\u00ea apenas benef\u00edcios no jogo em sua forma virtual. &#8220;\u00c9 uma forma de desenvolver a t\u00e9cnica em casa, jogar com pessoas diferentes dos oponentes do dia a dia, enfim, expandir a pr\u00e1tica para um outro contexto de lazer.&#8221;<\/p>\n<p>Alunos tamb\u00e9m reconhecem benef\u00edcios<\/p>\n<p>Segundo o professor do Col\u00e9gio Stella Matutina, Haroldo Carvalhido, o xadrez deve ser, antes de tudo, prazeroso para o estudante. &#8220;O jogo \u00e9 muito importante no desenvolvimento cognitivo deles, por isso, \u00e9 essencial fazer com que se interessem pela atividade. S\u00f3 assim, desfrutar\u00e3o de todos os benef\u00edcios que ela pode oferecer.&#8221; Ainda segundo o docente, os pais precisam ser cuidadosos para que n\u00e3o haja cobran\u00e7a excessiva no desempenho dos jogadores mirins. &#8220;Muitos esperam que os filhos sejam campe\u00f5es ap\u00f3s poucos meses de aula, o que n\u00e3o acontece. O xadrez \u00e9 um aprendizado cont\u00ednuo, e os pais precisam ter esse conhecimento ou v\u00e3o acabar criando uma press\u00e3o grande sobre a crian\u00e7a, fazendo com que o jogo a prejudique, ao inv\u00e9s de ajudar.&#8221;<\/p>\n<p>Conforme a pesquisadora Let\u00edcia Perani, para que os benef\u00edcios de qualquer jogo sejam alcan\u00e7ados \u00e9 essencial que escola e fam\u00edlia acompanhem o desenvolvimento da crian\u00e7a.&#8221; Acredito que as atividades l\u00fadicas em geral trazem benef\u00edcios cognitivos aos seus praticantes. Quando usados para fins educacionais, devemos apenas prestar aten\u00e7\u00e3o nas caracter\u00edsticas destes jogos e nas habilidades desenvolvidas para adequar a atividade \u00e0 faixa et\u00e1ria da crian\u00e7a, isso deve ser feito tanto pelos profissionais da educa\u00e7\u00e3o quando pelos pais.&#8221;<\/p>\n<p>Atenta aos movimentos do filho Arthur, 7 anos, no tabuleiro, a enfermeira Maria Tereza Castilho Fernandes v\u00ea reflexos deste aprendizado no pequeno. &#8220;Ele entrou por vontade pr\u00f3pria, mas os benef\u00edcios foram muito n\u00edtidos para mim. O Arthur \u00e9 hiperativo e tinha muitos problemas de concentra\u00e7\u00e3o. Hoje em dia, est\u00e1 mais focado, mais tranquilo, presta mais aten\u00e7\u00e3o em tudo que faz.&#8221; Entre uma observada nas pe\u00e7as e uma jogada, Arthur reconhece os efeitos positivos do xadrez. &#8220;Sou muito agitado e fiquei mais tranquilo, mas jogo mesmo porque acho muito legal.&#8221;<\/p>\n<p><em>Fonte: Tribuna de Minas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O xadrez tem ocupado um papel cada vez mais importante no cotidiano escolar de Juiz de Fora. Em diversas institui\u00e7\u00f5es, tanto na rede p\u00fablica quanto na \u00e1rea privada, a atividade tem sido inclu\u00edda como op\u00e7\u00e3o no hor\u00e1rio extraclasse. 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